sábado, 10 de julho de 2010

Clandestino


Estou cansada desta vida de amargura, que retira o meu prazer de escrever e até mesmo de viver.
A juventude foi embora e com ela levou a minha beleza, fresca e glamorosa, inocene ou apenas uma criança. Estou num beco, presa a um destino traiçoeiro que me arrasta para as trevas e leva-me sem piedade, estou amarrada a um passado que visita a minha memória sem pudor.
Hoje acordei, aliás nem dormi, vi o sl nascer e fui ao meu caminho, encontrei-me na rua, a chorar angustiada.
Gritei e gritei bem alto, todo o mundo ouviu.
Pedi e peço para me levarem de uma ve, que faço eu aqui? Ver as mesmas coisas de sempre? Ser tudo igual?
Nao, desculpem mas eu não aceito essa rotina.
Sair do meu quarto e ver sempre a minha cama feita, vistosa e à minha espera, à frente dela um aquário com aquele peixe laranja que tanto gosto, ao lado a televisão e uma janela grande que já levou tanto com o meu peso e com o cheiro dos cigarros.
Não, perdoem-me mas eu não quero mais ver isto, não quero ter essa vida de prisioneira que todos têm e hoje estou aqui a morrer ainda a pensas nisso.
Tira-me esta dor, tira-me.
Não te vou perdoar, esses olhos claros e essa barba rigida que hoje são a minha imagem, levam-me a culpar-te a ti!

Sim tu mesmo Pai!

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