sábado, 10 de julho de 2010

Descrição



Faço todos os dias o mesmo caminho, os meus pés já o sabem de cor.
Saí de casa às 8h00, bati a porta devagar, para não acordar ninguém.
Desci as escadas com pressa e foi a mesma monotonia de sempre.
Olhei e vi um gato, era felpudo, branco como a neve, tinha um ar triste, talvez fosse vadio, continui o meu caminho mas sempre com a imgaem daquele pobre gato na minha mente.
Ao chegar à curva apressei o passo e espanto meu, vi um senhor a mexer no lixo, tinha um aspecto sombrio, calças pretas, t-shirt branca já quase cinzenta.
Tinha um cabelo ondulado grande, uma barba rigida e enorme já nao conseguia ver o resto da face.
Fiquei triste e sentida com o que vi, tanta gente necessitada e eu com uma sande e iogurte na mão.
Serei eu um dos culpados ou dos desapercebidos que ignora, fingindo que não vê, tanta pobreza? Tudo aquilo deprimiu a minha alma, mas continuei, estava a trasada!
Parei mais à frente, vi uma mulher com uma cara um pouco degradada, magra, notava-se os ossos de tanto olhar para ela. Parei completamente, ela dirigiu-se a mim e pediu-me dinheiro. Eu negei, não tinha, se tivesse também não lhe dava, de certeza que era para drogas. Mas, eu pensei, estou com um cigarro na mão, isto também não é uma droga?
Que perdida que estou, já não sei o que pensar é melhor continuar o meu caminho.
Cheguei á escola, já tinha tocado, estava atrasada, bati à porta, pedi desculpas e entrei.
Semtei-me e concluiu que o caminho de hoje fora diferente do normal.

Clandestino


Estou cansada desta vida de amargura, que retira o meu prazer de escrever e até mesmo de viver.
A juventude foi embora e com ela levou a minha beleza, fresca e glamorosa, inocene ou apenas uma criança. Estou num beco, presa a um destino traiçoeiro que me arrasta para as trevas e leva-me sem piedade, estou amarrada a um passado que visita a minha memória sem pudor.
Hoje acordei, aliás nem dormi, vi o sl nascer e fui ao meu caminho, encontrei-me na rua, a chorar angustiada.
Gritei e gritei bem alto, todo o mundo ouviu.
Pedi e peço para me levarem de uma ve, que faço eu aqui? Ver as mesmas coisas de sempre? Ser tudo igual?
Nao, desculpem mas eu não aceito essa rotina.
Sair do meu quarto e ver sempre a minha cama feita, vistosa e à minha espera, à frente dela um aquário com aquele peixe laranja que tanto gosto, ao lado a televisão e uma janela grande que já levou tanto com o meu peso e com o cheiro dos cigarros.
Não, perdoem-me mas eu não quero mais ver isto, não quero ter essa vida de prisioneira que todos têm e hoje estou aqui a morrer ainda a pensas nisso.
Tira-me esta dor, tira-me.
Não te vou perdoar, esses olhos claros e essa barba rigida que hoje são a minha imagem, levam-me a culpar-te a ti!

Sim tu mesmo Pai!

sexta-feira, 9 de julho de 2010


Este pecado imortal leva-me à loucura.
Procuro a cura, o antídoto, é um veneno que se apoderou de mim.
Leva-me a outro mundo, a outra realidade para além desta, oh veneno sem cura!
Alguém aí em cima me ouve chamar?!
Existe mesmo esse alguém que todos chamam e aclamão ajuda?!
Porquê que acordo e olho todos os dias para esta realidade.
Que mundo é este, que realidade é esta que nos tem transformado.
Qual a origem disto tudo? Foi esse dito alguém que criou ou simplesmente obra da mãe natureza?
Vá diz-me....
Construído pelo Homem mas também devastado por ele.
A cada 10 segundos morre um desgraço e nasce alguém num berço apodrecido.
A ganância, a lucuria apoderou-se do criador, que teima sem pudo destruir o que construiu.
Se esta é a realidade, então nao necessitarei de antídoto, viverei, sobrevivendo noutra realidade!