
Estava na janela a admirar aquela noite tão límpida, aquele ar do campo tão puro; na cidade jamais viria algo assim.
Na minha direcção ou talvez pura imaginação vi uma estrela fulgurante; tamanho brilho chamou a minha atenção.Saí do quarto e dirigi-me aquela charneca de dimensão inefável. À minha frente encontrava-se um arvoredo tremendo, decidi preteri-lo, e visualizar a sua beleza escondida, e para meu espanto vi uma augueira, com águas tão claras como a minha pele, tão limpas como o céu numa noite de Verão. Logo me apercebi que aquilo não era um juncal, como a minha avó um dia me disse, era um belo lodaçal onde cresciam limeiras. Sim, é impossível acreditar a sua existência num lugar com tanto lodo, talvez fosse o unico sitío do mundo onde pudessemos ver tal coisa!
Lodaçal ou chapaçal como sempre se ouve no campo, era um sitio onde pouca gente tinha coragem de permanecer. Costumava-se dizer que a mãe Natureza não gostava de tal invasão e como castigo sofreríamos uma tempestade torrencial.
Prescendi de toda aquela beleza e dirigi-me novamente ao meu quarto. Na minha chegada, já a minha mente ia a verrumar sobre todos os acontecimentos.
Deitei-me na almofada de todas as noites, que usada já tinha o formato da minha cabeça, tal encaixe era perfeito.
Acordei com o som dos carros e crianças aos gritos e tristemente pensei que tinha sido um belo sonho apenas.




